
Oi, pessoal!
Sempre fui muito atirada para o trabalho, mas pouco pra vida particular. Não gosto muito de comentar do que faço, por isto, acho que fiquei meio arredia pra começar realmente a escrever no blog. Por outro lado, se decidi abraçar uma ou mais causas, que são relantes para o a melhoria da qualidade de vida de tanta gente, não dá pra me colocar pela metade, né? Quando temos uma doença grave ou passamos por alguma situação de risco, a gente começa a ver o mundo por um outro ângulo. Não sou eu quem pensa desta forma, mas sim, a maior parte das pessoas. Nestes cinco anos de tratamento pra que não voltasse o Câncer de Mama, passei por várias fases. Aquela que não se quer falar. Vem a outra que é a de falar muitooooooo!!!! São tantas, que acho que nem sei contar. Com o tempo, tenho certeza, que vou me lembrar.
Tudo passa a ser importante. Os amigos que te levam pra lá e pra cá, são fundamentais. Disto é quero discorrer com mais calma. Vocês não imaginam a imprtância que tem o em torno na recuperação de qualquer tipo de enfermidade, quanto mais o câncer que é, além de física, também é uma doença emocional. Ninguém sabe ao certo como tratar uma pessoa, que passa por um problema grave. Sei que a situação, às vezes, fica complicada para uma aproximação. Mas o que a gente precisa é se sentir incluída na sociedade, que continuamos as mesmas pessoas de antes. Talvez, mais sensíveis por passar por uma situação de risco. Não queremos o isolamento, que pode ser temporário, devido ao tratamento. Queremos o colo dos amigos. Carga pesada já é tratamento, imaginem se não tivermos o apoio dos amigos? Não falo nem da família, que é importantíssima do começo ao fim. Sempre falo da importância dos amigos, que nos tiram de casa, que nos dão colo, que enchem a bola da gente. Tem gente que pensa que vai incomodar ao fazer um telefonema. Ledo engano! A gente sente o carinho das pessoas, que são solidárias ao processo pelo qual passamos. É bacana fazer o gesto assim como recebê-lo. Quantas outras amigas que tirei da cama, que não queriam sair? Sem querer, tive várias ao mesmo tempo com o mesmo problema. Se for lembrar das fases, vou colocar uma lista telefôncia aqui. No começo, quando a gente não sabia nada - é verdade que a gente não sabe nada sobre a doença antes de tê-la - me lembro de uma noite que fui jantar no Rodeio, que é uma churrascaria muito bacana de São Paulo, levada pelo Bruno Ferro, um amigo de uma vida, encontramos a Nair Bello. Quanta saudade da Nair! Grande figura humana! Grande amiga, mulher, mãe, vó, artista, colega…… Ela tinha o hábito de uma vez por semana, jantar com os filhos e netos, no Rodeio. Pronto! Já estava armada a festa. Quanta alegria, Nair! Nós rimos tanto, que nem percebemos o tempo passar. As coincidências da vida. A família do Bruno era vizinha da Nair. Logo o Bruão ligou pra mãe, que estava sossegada em casa, e colocou a Nair pra falar. Quantas histórias saíram dalí. Foi muito engraçado! Obrigada, Nair! Obrigada, Brunão e Fabi! Vocês me deram tantas alegria naquela noite, que nem lembramos que eu estava em tratamento, né? Assim foi com a Elida Blumenthal, a Tereza Cury, a Fernanda Herbella. Várias pessoas legais entraram na minha vida que, se caso eu quizesse, não ficaria uma noite em casa. A primeira fase do tramento, que me tirou muito o sono, devido aos efeitos colaterais, eu passava na rua. E os fotógrafos? Como eu frequentava muitos as festas e restaurantes, sempre encontrava os fotógrafos. Aqueles que eu não era amiga, me tornei. São maravilhosos! Tenho, pelo menos uma história legal, com cada um deles. Com o tempo, vou contar passagens engraçadas. São verdadeiros artistas. Captam com as sua lentes, momentos mágicos. São olhares apaixonados, dispersos, alegres, tristes…. Eles conseguem extrair daquelas lentes o melhor de cada pessoa. São eles que eternizam através das suas câmeras momentos inesquecíveis. Obrigada por tudo!
E a Lu e o Marco Antonio? Que casal maravilhoso!!!! Foi pra eles que eu contei que faria a cirugia, mas não sabia do que se tratava. Só saberíamos após a cirurgia, com o exame da técnica de congelamento. A Lu estava quase no final do tratamento. Ou seja, sabia como lidar com a situação. Ele? Um devoto de Nossa Senhora da Aparecida, um cara que foi marido, companheiro, amigo… Um cara que é um exemplo de como se deve tratar uma mulher que passa por um problema como o Câncer de Mama. Tem muita coisa que a Lu nem sabe. O Marcão a poupou de vários detalhes. Maridão bacana, qeu soube compreendê-la, que a carregou no colo. Aliás, a Lu sempre me dava conselhos, para que eu não fosse durona, pra chorar, se dar o direito de ficar triste, que nós mulheres modernas, queremos ser fortes, mas não temos que carregar este problema sozinhas. Temos que dividir com os familiares, amigos, que não é um fardo, mas sim algo que temos que enfrentar, com a união de todos. Enfim, foi um início de muito aprendizado, que Deus se manifestou muitas e muitas vezes na minha vida através da pessoas. Obrigada a cada um por tudo!
Valéria